Empreender durante a graduação: estudantes do CCAE transformam conhecimento em inovação e negócios de impacto
Conciliar aulas, projetos acadêmicos, atividades de pesquisa e extensão com a construção de um negócio próprio pode parecer desafiador — e, de fato, é. Ainda assim, para estudantes do Centro de Ciências Aplicadas e Educação, o ambiente universitário tem se mostrado também um espaço fértil para inovação, empreendedorismo e desenvolvimento de soluções com impacto real na sociedade.
No Campus IV da Universidade Federal da Paraíba, estudantes dos cursos de Sistemas de Informação e Ciência da Computação vêm transformando conhecimentos adquiridos em sala de aula em startups, plataformas tecnológicas e iniciativas voltadas à solução de problemas concretos nas áreas de produção, gestão empresarial, sustentabilidade ambiental e saúde.
Mais do que desenvolver produtos, essas experiências têm proporcionado vivências práticas que complementam a formação acadêmica e ampliam horizontes profissionais.
AquaTrack: da sala de aula para a inovação no setor aquícola
Para José Ítalo Oliveira de Pontes e Mykael Bruno Guimarães, estudantes de Sistemas de Informação, a experiência empreendedora começou a partir de uma disciplina do curso. Durante as atividades de Análise e Projeto de Sistemas, a dupla identificou um problema recorrente no setor aquícola: a realização manual de processos essenciais à produção.
A partir dessa percepção, nasceu o AquaTrack, plataforma de gestão para aquicultura voltada principalmente para produtores de camarão e peixes. A solução permite gerenciar aspectos como controle de ração, biometria, qualidade da água, estoque, custos e ciclos produtivos.
O projeto evoluiu para além da disciplina e atualmente integra uma ação de extensão universitária vinculada ao laboratório AYTY, sob coordenação de Rodrigo Rebouças de Almeida. Para os estudantes, a experiência evidencia como a universidade pode servir de ponto de partida para soluções inovadoras com aplicação prática no mercado.
Canais oficiais:
Site: aquatrack.cloud
Instagram: @aquatrackbr
Equipe: José Ítalo Oliveira de Pontes, Mykael Bruno Guimarães e Rodrigo Rebouças de Almeida.
Experiência de José Ítalo
“Eu, José Ítalo Oliveira de Pontes, e meu amigo Mykael Bruno Guimarães somos alunos do curso de Sistemas de Informação da UFPB Campus IV. Juntos, desenvolvemos o AquaTrack, uma plataforma de gestão para aquicultura voltada principalmente para produtores de camarão e peixes.
O projeto surgiu durante a disciplina de Análise e Projeto de Sistemas, quando identificamos a necessidade de digitalizar processos que ainda são realizados de forma manual em muitas fazendas aquícolas, como o controle de ração, biometria, qualidade da água, estoque, custos e ciclos produtivos. Desde então, continuamos evoluindo a plataforma com foco em oferecer uma solução acessível e prática para pequenos e médios produtores da região Nordeste.
Atualmente, o AquaTrack também integra um projeto de extensão universitária da UFPB, desenvolvido no âmbito do laboratório AYTY.”
José Ítalo Oliveira de Pontes
Uaná.tech: experiência prática com desafios reais do mercado
A Uaná.tech tem se destacado pela aproximação entre universidade e mercado, atuando no desenvolvimento de soluções tecnológicas nas áreas de inteligência artificial, data analytics, desenvolvimento de software, infraestrutura e segurança. Atualmente, a startup mantém cinco contratos com empresas, oferecendo soluções que vão desde levantamento de requisitos e mapeamento de fluxos até engenharia de software e implementação de sistemas customizados.
Fundada como um spin-off do laboratório AYTY para atender demandas empresariais de maior complexidade, a startup é conduzida pelos sócios Lucas Perônico Barbotin, Herbert Rocha Monteiro e Ronyelison de Oliveira Abreu, estudantes dos cursos de Sistemas de Informação e Licenciatura em Ciência da Computação, que dividem a linha de frente técnica e de gestão dos projetos. Daniel Faustino Lacerda e Rodrigo Rebouças de Almeida atuam como conselheiros da empresa.
Para os sócios, empreender durante a graduação tem permitido aplicar na prática conhecimentos adquiridos nos cursos e compreender, de forma concreta, o impacto da tecnologia na resolução de problemas do cotidiano corporativo.
Canal oficial:
Site: uana.tech
Instagram: @uana.tech
Equipe: Lucas Perônico Barbotin, Herbert Rocha Monteiro e Ronyelison de Oliveira Abreu (sócios); Daniel Faustino Lacerda e Rodrigo Rebouças de Almeida (conselheiros).
Experiência de Lucas
“Sou Lucas Perônico Barbotin, aluno de sistemas de informação na UFPB e sou sócio da Uaná.tech, junto de Daniel Faustino Lacerda (ex professor de SI), Herbert Rocha Monteiro, Rodrigo Rebouças de Almeida (professor do curso) e Ronyelison de Oliveira Abreu. Nós fundamos a Uaná Tech, uma startup focada em soluções para empresas em João Pessoa, pondo em prática tanto engenharia quanto desenvolvimento de software, entrando em contato com as empresas, levantando requisitos, mapeando processos e solucionando problemas reais do dia-a-dia das empresas.
A ideia surgiu como um spinoff do laboratório AYTY, buscando atender demandas mais trabalhosas de empresas parceiras ao laboratório AYTY. Além disso, identificamos também um mercado bastante promissor em João Pessoa, principalmente pela necessidade não somente de software especializado, como também um suporte no dia-a-dia, levantamento de processos, entre outros.
Como aluno, essa experiência tem sido incrível, poder colocar todos os conhecimentos obtidos no curso em prática e ver o impacto real deles é algo muito valioso e que levarei para o resto da minha carreira profissional e acadêmica.”
Lucas Perônico Barbotin
MangueBytes: empreendedorismo, ciência e sustentabilidade
A trajetória de Laísa Maria dos Santos, estudante de Ciência da Computação, mostra como oportunidades acadêmicas podem abrir caminhos inesperados.
Embora já possuísse base técnica em informática antes da graduação, foi durante sua vivência universitária e participação em eventos de inovação que o empreendedorismo ganhou espaço em sua trajetória. O ponto de virada ocorreu em 2025, durante o Hackathon da Expotec, quando o projeto desenvolvido por sua equipe conquistou o terceiro lugar da competição.
Dessa experiência surgiu a MangueBytes, startup que utiliza inteligência artificial, machine learning e imagens de satélite para monitorar e apoiar a conservação de ecossistemas costeiros por meio do desenvolvimento de software e da pesquisa científica.
Atualmente, Laísa atua como Co-CEO ao lado de Fernando Ribeiro, Gabriela Porto e João Miguel Santos, liderando áreas estratégicas como gestão de projetos, captação de investimentos e relacionamento institucional com aceleradoras e programas de inovação.
A startup já conquistou apoios importantes, incluindo incubação pelo Inova UFPB, além de participação em grandes eventos de tecnologia. Em 2026, a equipe representou a Paraíba no Web Summit Rio como Startup ALPHA.
Para Laísa, empreender durante a graduação exige dedicação, disciplina e persistência, mas também proporciona aprendizados e oportunidades transformadoras, reforçando a importância de aproveitar projetos, eventos e conexões construídas dentro da universidade.
Canais oficiais:
Site: manguebytes.com
Instagram: @manguebytes
Equipe: Laísa Maria dos Santos, Fernando Ribeiro, Gabriela Porto e João Miguel Santos.
Experiência de Laísa
“Meu nome é Laísa Santos e sou estudante de Ciência da Computação na UFPB – Campus IV. Antes de ingressar na universidade, fui aluna do IFRN, onde cursei o Técnico em Informática e construí uma base sólida em tecnologia. Embora sempre tenha gostado da área, eu jamais imaginava que a graduação me levaria ao mundo do empreendedorismo. Minha trajetória começou em 2025, durante o Hackathon da Expotec, promovido pelo Governo da Paraíba e pelo IFPB. O projeto que desenvolvemos conquistou o 3º lugar na competição e se tornou o ponto de partida para a criação da MangueBytes.
A MangueBytes é uma startup que utiliza inteligência artificial, machine learning e imagens de satélite para monitorar e apoiar a conservação de ecossistemas costeiros por meio do desenvolvimento de software e da pesquisa científica. Desde então, fundamos a empresa, abrimos CNPJ, investimos recursos próprios e conquistamos importantes apoios, como a parceria com a Virtus CC e a incubação pelo Inova UFPB. Também participamos de diversos eventos de inovação, incluindo o Web Summit Rio 2026, onde representamos a Paraíba como Startup ALPHA, atraindo o interesse de investidores, pesquisadores, grandes empresas e potenciais parceiros. Atualmente, atuo como Co-CEO da startup ao lado dos meus sócios e amigos Fernando Ribeiro, Gabriela Porto e João Miguel Santos. Lidero a área administrativa, a gestão de projetos, a busca por investimentos e o relacionamento com aceleradoras, programas de inovação e editais.
Empreender durante a graduação não é uma tarefa simples e exige dedicação, disciplina e muita persistência. Vai além da sala de aula, são finais de semana de trabalho, viagens, investimento financeiro próprio e muita disciplina para conciliar as responsabilidades acadêmicas com os desafios de uma startup, mas também proporciona aprendizados e oportunidades transformadoras e inimagináveis. Por isso, minha principal mensagem para outros estudantes é que aproveitem tudo o que a universidade oferece: participem de projetos de pesquisa, extensão, monitoria e inovação, aproximem-se dos professores, participem de eventos e comunidades e não tenham medo de tentar. Muitas vezes, as melhores oportunidades surgem de desafios inesperados. Além disso, valorizem seus colegas, pois são essas conexões que frequentemente se transformam em grandes amizades, parcerias e conquistas ao longo da vida.”
Laísa Maria dos Santos
Utouch: tecnologia vestível para ampliar a reabilitação motora
Criada a partir do programa Acelera.AI DeepTechs, iniciativa da Virtus-CC em parceria com a UFPB, a Utouch reúne inovação, empreendedorismo e tecnologia aplicada à saúde para desenvolver dispositivos vestíveis (wearables) voltados ao tratamento e à reabilitação de pessoas que sofreram AVC e apresentam dificuldades motoras.
A startup nasceu da proposta de transformar uma ideia desenvolvida durante o programa de aceleração em um negócio de base tecnológica, capaz de gerar impacto social por meio da inovação. Para seus integrantes, a experiência empreendedora tem representado uma oportunidade de aplicar conhecimentos adquiridos na graduação em um projeto multidisciplinar, conciliando tecnologia, pesquisa, gestão, comunicação e desenvolvimento de produtos.
À frente da empresa está Djafer, estudante do 6º período de Sistemas de Informação e CEO da Utouch. Além de atuar na liderança estratégica da startup, ele também contribui tecnicamente para o desenvolvimento das soluções, integrando inteligência artificial, sensores, microcontroladores e prototipagem de hardware aos dispositivos vestíveis desenvolvidos pela equipe. Segundo ele, empreender durante a graduação tem sido a realização de um objetivo cultivado desde o ingresso na universidade, permitindo transformar conhecimento em uma solução com potencial para melhorar a qualidade de vida de muitas pessoas.
Também integram a equipe Romildo, estudante de Licenciatura em Ciência da Computação, responsável pelo desenvolvimento do aplicativo e pela coordenação das atividades de pesquisa; Miguel, estudante do 7º período de Ciência da Computação, que destaca o empreendedorismo como um caminho para criar soluções para problemas reais e construir uma carreira alinhada à inovação; Rhauany Aragão, estudante do 5º período de Sistemas de Informação, que atua no desenvolvimento da empresa e ressalta os aprendizados em gestão, trabalho em equipe e empreendedorismo; e Frederyck Lohan, estudante de Licenciatura em Ciência da Computação, responsável pelas estratégias de comunicação e marketing da startup, aproximando a tecnologia desenvolvida pela equipe do público e do mercado.
Para os integrantes, a participação no Acelera.AI, nas mentorias de negócios e no ecossistema de inovação da universidade ampliou a visão sobre empreendedorismo e demonstrou que a graduação também pode ser um ambiente para criação de empresas de base tecnológica com potencial de impacto social.
Canal oficial:
Instagram: @utouch_pb
Equipe: Djafer, Romildo, Miguel, Rhauany Aragão e Frederyck Lohan.
Experiência de Djafer
“Me chamo Djafer, sou estudante do 6º período de Sistemas de Informação na UFPB e Residente no programa de especialização em microeletrônica e semicondutores da UFCG em conjunto com a Softex (CIexpert). O empreendedorismo é uma iniciativa e uma vontade que venho carregando desde que entrei na universidade, mas foi através do Acelera.AI, uma iniciativa incrível da Virtus-CC, que essa paixão encontrou o cenário perfeito para se concretizar.
Hoje, sou e atuo como CEO da Utouch. Sempre fui muito imerso na parte técnica, com foco em inteligência artificial e prototipagem de hardware. Na Utouch, vivo o desafio fascinante de unir esses dois mundos: ajudar na concepção física das nossas soluções integrando sensores e microcontroladores para os dispositivos vestíveis, e, ao mesmo tempo, guiar estrategicamente a nossa empresa.
Estar à frente da Utouch tem exigido muita responsabilidade, visão de mercado e trabalho em equipe. É extremamente gratificante ver que aquele desejo de empreender que sempre tive está se transformando em um negócio real. Liderar um projeto que aplica inovação tecnológica para a reabilitação motora de pacientes é a prova de que a tecnologia aliada ao empreendedorismo pode gerar um impacto imensurável na vida das pessoas. Tenho muito orgulho da empresa que estamos construindo juntos.”
Experiência de Romildo
“Me chamo Romildo, sou aluno de Licenciatura em Ciências da Computação, e me envolvi recentemente com um projeto do Acelera.Ai DeepTechs, um evento proporcionado pela VIRTUS-CC em conjunto com a UFPB. Nesse projeto foi possível expandir meus horizontes com relação a inovação e ao empreendedorismo. Junto de mais 4 colegas em uma mesa decidimos criar uma solução. Em que hoje participo e coordeno o desenvolvimento do aplicativo e a pesquisa nela.
A Utouch, empresa que nasceu na UFPB, da qual faço parte com muita gratidão, feita por estudantes da UFPB, é responsável por reabilitar pacientes com dificuldades motoras a partir de dispositivos vestíveis. O desenvolvimento da solução está sendo desafiador, porém muito prazeroso, pois isso está me proporcionando a experiência de como gerir uma empresa e de trabalhar em equipe em uma solução. É muito gratificante ver a ideia tomando forma e potencialmente se tornando um verdadeiro produto real no mercado.”
Experiência de Miguel
“Me chamo Miguel e atualmente estou no 7º período do curso de Ciência da Computação. Comecei a me envolver com empreendedorismo e inovação após participar do projeto Acelera.AI, da Virtus. Antes disso, eu não tinha perspectiva sobre o que faria após me formar. sem estágios e sem experiencia, eu acreditava que havia poucas oportunidades para iniciantes na área da Computação.
Depois que descobri o mundo do empreendedorismo, passei a me sentir motivado a trabalhar com algo de que realmente gosto, que me proporcione retorno financeiro e experiência profissional. O melhor de tudo é poder criar soluções que resolvam problemas reais das pessoas, e isso não tem preço.
Por meio das mentorias de negócios da Virtus em parceria com o Sebrae, aprendi como estruturar e sustentar um negócio de sucesso. Junto com meus colegas, criamos a Utouch, uma empresa que desenvolve dispositivos vestíveis para auxiliar no tratamento e na reabilitação de pessoas que sofreram AVC.
Hoje, mais do que nunca, posso dizer com certeza o que pretendo fazer após me formar. Também compreendi que existem muitas oportunidades no mercado para quem decide empreender.”
Experiência de Rhauany
“Me chamo Rhauany Aragão, sou uma estudante de Sistemas de Informação, atualmente no 5º período. Comecei minha jornada na Utouch juntamente com meus colegas através do Aceler.AI, iniciativa da Virtus com a UFPB.
Durante essa jornada, tive a oportunidade de aplicar conhecimentos relacionados à administração e ao empreendedorismo, além de entrar em contato com uma área completamente nova, repleta de aprendizados, desafios e experiências. Fazer parte da construção da Utouch me proporcionou desenvolver habilidades como trabalho em equipe, responsabilidade, comunicação e compreender melhor o funcionamento de uma empresa desde seus primeiros passos.
Todos os conhecimentos que pude adquirir não tem preço e pude ter uma ideia melhor de como a tecnologia pode gerar impactos cada tão positivos na vida das pessoas. Sou muito orgulhosa de poder dizer que faço parte da Utouch. Empresa que visa a criação de Wearables para reabilitação motora, é muito bom poder ver nossa ideia sendo validada e se transformando cada vez mais em um aparelho real.”
Experiência de Lohan
“Me chamo Frederyck Lohan, sou estudante do curso de LCC e faço parte da equipe da Utouch, uma iniciativa que nasceu na UFPB através do projeto Acelera.AI DeepTechs. A nossa empresa desenvolve dispositivos vestíveis voltados para auxiliar no tratamento e na reabilitação de pessoas que sofreram AVC e possuem dificuldades motoras.
Dentro da Utouch, sou o responsável pela gestão das redes sociais e pelo marketing em geral. Participar desse projeto tem sido uma experiência sem igual na minha vida. O desafio de traduzir uma solução tecnológica e de saúde tão complexa em uma comunicação acessível, humana e atrativa para o público tem sido um real desafio, um aprendizado prático inestimável sobre posicionamento de marca, mercado e divulgação, além claro de ser inexplicável as experiências que esse grupo vem me proporcionado com as conversas, ideias e metas.
Ver uma ideia acadêmica tomar forma e se estruturar como um negócio real, sabendo que meu trabalho ajuda a conectar nossa solução a quem não conhecia, me deu uma nova perspectiva profissional e mostrou a força do empreendedorismo aliado à universidade.”
Formação acadêmica e cultura empreendedora
As experiências compartilhadas por estudantes do CCAE mostram que a universidade também é um espaço de criação, experimentação e protagonismo. Projetos de pesquisa, extensão, laboratórios e eventos de inovação têm contribuído para aproximar estudantes de desafios reais e estimular a construção de soluções com potencial de impacto social, econômico e ambiental.
Ao incentivar o empreendedorismo e a inovação, o CCAE reafirma seu compromisso com uma formação que vai além do conteúdo técnico, preparando estudantes não apenas para o mercado de trabalho, mas também para criar oportunidades, liderar transformações e desenvolver soluções para os desafios contemporâneos.
Imagens: Divulgação
Texto: Ascom CCAE




